Londrina -

Alia: Porque lutar é preciso

A Aids, invadiu o mundo de forma veloz e intensa,causando em nós humanos um misto de medo,perplexidade e até incredulidade. Hoje “adjetivada’’ de pandemia, a Aids não é mais sinônimo de morte, e nem o HIV sinônimo de grupo de risco, mas continua sendo um tabu, um assunto delicado de se falar abertamente. Frente a este contexto, podem existir dois caminhos: um, a negação em função do medo; outro, a consciência a serviço da realidade e do compromisso social.
Estudos realizados pelo Ministério da Saúde estimam a existência de 936.920 casos de infecção pelo HIV no país, considerando a população de 15 a 49 anos. A região que concentra o maior número de infecções é a sudeste, seguida da região sul. O Estado do Paraná, conta com 10.550 casos de Aids notificados, o município de Londrina têm 1.400 casos notificados e a principal categoria de transmissão é a sexual. Vale ressaltar que esta faixa de idade que é atingida pela pandemia coloca em risco toda uma força de trabalho e desenvolvimento de nosso estado e país.
Organizamos há 14 anos a Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids - ALIA, instituída em 06 de maio de1989 - organização da sociedade civil, sem fins lucrativos visando promover ações sócio educativas a populações específicas e em geral, priorizando a prevenção das DST/HIV/aids, observando os princípios da saúde pública, direitos humanos e da cidadania em Londrina e Estado do Paraná

Pai Nosso da Democracia

Democracia nossa,
Que constitucionalmente está sobre todos nós.
Que entendido seja o seu significado.
E que possamos exercê-la
No Paraná e em todo o BRASIL.
A força nossa, de cada dia daí nos sempre.
Honrai a nossa luta assim como
Queremos honrar a quem sempre lutou.
E não nos deixe desanimar,
Até a vitória,
Quando seremos de fato, cidadãos.
Que os deveres humanos em relação ao outro
Sejam a nossa prática.
Livrai-nos do silêncio, agora e sempre.
AMÉM.

Ativismo e Cidadania: tomada de consciência é o início de tudo

“Cidadão é o indivíduo que tem consciência de seus direitos e deveres e participa ativamente de todas as questões da sociedade. Tudo o que acontece no mundo, acontece comigo. Então eu preciso participar das decisões que interferem na minha vida. Um cidadão com um sentimento ético forte e consciência da cidadania não deixa passar nada, não abre mão desse poder de participação. [...] A idéia de cidadania ativa é ser alguém que cobra, propõe e pressiona o tempo todo. O cidadão precisa ter consciência de seu poder.”



Perceber a importância de se ter uma postura ativa na sociedade, como nos impele Hebert de Souza, o Betinho, autor da frase acima, é muito mais que um desafio para o soropositivo. É uma necessidade. Preconceito, discriminação, descaso do setor público de saúde e dos poderes constituídos, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Esses são alguns problemas bem conhecidos dos portadores do HIV. Frente a eles, muitos desanimam, outros se revoltam e alguns reagem.
“ Para que as pessoas infectadas deixem de ser vítimas ou parte do problema e se tornem parte da solução!”. Essa frase e muitas outras ditas pela socióloga Ruth Gunn Mota, durante um treinamento denominado “Liderança e Ativismo”, em fevereiro de 1998 - Florianópolis, atingiram como uma bomba os ouvidos e mentes de Paulo Wesley Faccio e Silvana Gomes dos Santos, que participaram da instrumentalização, representando a ALIA.
Essa tomada de consciência individual iria revolucionar o modo de agir e pensar de todos os membros da instituição. Os princípios de cidadania ativa foram passados aos voluntários, iniciando dessa maneira um amadurecimento grupal sobre o papel político, social e institucional de cada um no empreendimento de ações e projetos sociais.
Foi a partir daí, que a Alia começava a dar sua grande virada. Os soropositivos, antes assistidos pela entidade, começavam a tornar-se atores de suas próprias lutas e conquistas. E a instituição passou a ser uma referência no exercício da participação cidadã e no controle social, passando a funcionar como interlocutora das populações social e economicamente marginalizadas em Londrina e demais regiões do país.
Mas a missão daqueles que tomam noção desse poder, antes ignorado, não é apenas saber usá-lo, mas também passar esse conhecimento adiante. Foi aí que surgiu o Projeto “Ativismo e Cidadania”. O trabalho iniciou-se em 2000 com uma parceria da Alia e da Coordenação Estadual de DST e Aids – SESA/PR e UNESCO - CN DST e AIDS/MS. O objetivo do Projeto é ajudar o indivíduo a perceber-se como cidadão, com direitos e deveres, capaz de cobrar ações públicas que lhe são devidas.
Iniciaram-se então, por todo o estado, encontros aonde os facilitadores, por meio de dinâmicas de grupo e utilizando-se de uma metodologia específica que procura respeitar a vivência de cada um, iriam trocar conhecimentos e experiências com diferentes populações que viviam ou conviviam com o HIV.

Eixos Temáticos dos Treinamentos

COMUNICAÇÃO
Escuta Ativa – Feed-Back – Ruídos;
Clarificação de Valores;
Contrato;
Relações Humanas Interpessoais e de Grupo;
Técnicas Sócio Educativas;
DST/AIDS
História da Aids: prevenção e assistência;
Sistema imunológico e co-fatores;
Saúde e Nutrição;
Recomendações para terapia anti-retroviral;
VULNERABILIDADE (PESSOAL, SOCIAL E INSTITUCIONAL)
Gênero e sexualidade;
Estigma;
Vulnerabilidade e Risco;
Substâncias Licitas e Ilícitas;
ATIVISMO E CONTROLE SOCIAL
História do Ativismo – Direitos Humanos e Direitos Fundamentais;
Advocacy - Controle Social;
Controle Social/SUS – HIV/Aids e mídias; FODA - Planejamento
Plano de Trabalho

Treinamentos
Pessoas foram selecionadas a partir de grupos focais (técnica de coleta de dados qualitativos sobre percepções e conceitos de indivíduos em determinada situação social). Até maio de 2002, participaram dos treinamentos 144 pessoas, divididas em 8 grupos, que foram divididas por categorias específicas, já que havia várias populações com demandas diferentes.

1º - Maringá de 08 a 20 de abril de 2001 – 15 participantes;

2º - Foz do Iguaçu de 20 de maio a 01 de junho de 2001 – 19 participantes;

3º - Caiobá de 24 de julho a 60 de julho de 2001 – 19 participantes;

4º - Londrina de 09 a 21 desetembro de 2001 – 19 Participantes;(Pelo termo de cooperação 124/00 UNESCO – CN DST e AIDS/MS e Coordenação Estadual de DST e AIDS – SESA/PR – convênio 2616/00).

5º - São José dos Pinhais (Redução de Danos) – de 05 a 17 de outubro de 2001 – 19 participantes;

6º - São José dos Pinhais (HSH – homens que fazem sexo com homens) – de 21 de outubro a 02 de novembro de 2001 – 19 participantes;

7º - São José dos Pinhais (Mulheres) – de 15 a 27 de novembro de 2001 – 19 participantes;

8º - São José dos Pinhais (Transgênero(s)) – de 05 a 27 de maio de 2002 – 15 participantes;
(Parceria com a SESA/PR –Coordenação Estadual de DST e AIDS – convênio 2616/00).






Resultados

Como resultados principais destacamos o aumento da visibilidade das populações chamadas de “risco acrescido”, o aumento do protagonismo destes atores e a sua inserção nas instâncias de controle do SUS, o fortalecimento das políticas públicas para HIV/Aids e o exercício efetivo da cidadania no controle das ações desenvolvidas pelos organismos governamentais e da sociedade civil organizada.
Em 1º de dezembro de 2001, o projeto ATIVISMO e CIDADANIA recebeu um prêmio de reconhecimento nacional, na categoria “Iniciativas Bem Sucedidas” concedido pela Coordenação Nacional de DST e AIDS – Ministério da Saúde à Coordenação do Programa Estadual de DST e AIDS/SESA-PR, parceiro do projeto.

Organização da Rede Paranaense de Ativismo e Cidadania – REPACI

O QUE É UMA REDE, AS VANTAGENS DE FORMAR, A SOCIEDADE CIVIL E AS REDES – A REPACI E SEUS OBJETIVOS NO PARANÁ – HISTÓRICO, O ENCONTRO 2002 E A PROGRAMAÇÃO

No Paraná, após 08 treinamentos contamos com 144 ativistas instrumentalizados, que iniciaram uma organização em rede, a REPACI, Rede Paranaense de Ativismo e Cidadania, participando de projetos e contribuindo para a visibilidade da epidemia de HIV/aids e todas as suas conseqüências sociais, desenvolvendo ações individuais e em parceria a partir dos planos de trabalho elaborados durante os treinamentos, ajudando na implantação de políticas públicas de saúde e de assistência social, compatíveis com a realidade da população paranaense e do impacto social causado pela aids.

O desafio de construir uma rede de Cidadania e Ativismo

 

Segundo Francisco Whitaker, no texto “O que são Redes”, quando pessoas ou entidades se associam para realizar determinado objetivo, elas precisam se organizar. A estrutura de organização mais usualmente adotada é a piramidal, correspondendo ao que seu próprio nome indica: as pessoas ou entidades se organizam em níveis hierárquicos, que se superpõem, cada nível compreendendo menos integrantes do que o nível que lhe é inferior. O conjunto se afunila a partir de uma base que pode ser mais ou menos ampla, para chegar a um topo no qual pode se encontrar um único integrante – o “chefe”.
Outra estrutura de organização vem sendo cada vez mais experimentada no mundo inteiro: a estrutura horizontal em rede - seus integrantes se ligam horizontalmente a todos os demais, diretamente ou através dos que os cercam. O conjunto resultante é como uma malha de múltiplos fios, que pode se espalhar indefinidamente para todos os lados, sem que nenhum dos seus nós possa ser considerado principal ou central, nem representante dos demais. Não há um “chefe”, o que há é uma vontade coletiva de realizar determinado objetivo. Entre seus membros se aprofunda a colaboração, a solidariedade, a ajuda mútua, a transparência e a co-responsabilidade, numa estrutura horizontal não existe representação, cada membro da organização é autônomo em sua ação, mas responsável pelos seus efeitos na realização dos objetivos do conjunto.
Quem se associa a uma rede para “subir” ou para instrumentalizá-la, com objetivos pessoais ou grupais, logo percebe que esse espaço não lhe será propício, porque ele não contém nenhum “poder” a ser tomado: o “poder” numa rede pertence a todos os seus integrantes. Ele é o “poder conjunto” de todos que a integram, e só é efetivamente poder exatamente
se não se concentrar em nenhum membro em particular, ou seja, se todos os seus membros estiverem dispostos a “ceder” informação – poder - aos demais.
O exercício da liberdade, responsabilidade e democratização da informação, que a lógica das redes desenvolve, ajuda a mudar, nos seus participantes, os padrões de dominação, competição, autoritarismo e manipulação que a cultura dominante introjeta em cada um de nós. É uma prática nova que reeduca – embora essa reeducação possa ser um processo lento de superação dos hábitos, métodos e perspectivas que nos cercam de todos os lados, continuamente.
A REPACI, é um sistema de nós e elos com o desafio de organizar pessoas e instituições, de forma igualitária e democrática, em torno de objetivos comuns: - a circulação de informações, base comum do funcionamento de todo e qualquer tipo de rede, segundo Bruno R. C. Ayres, no texto “Redes Organizacionais no Terceiro Setor”:
-a formação de seus membros;
-a criação de laços de solidariedade entre os membros;
-a realização de ações em conjunto.
Para tanto a REPACI não pode perder de vista que a formação de redes solidárias não tem receita. Existem muitas e diversas práticas, porque as realidades, pessoas e culturas são distintas. E cada realidade muda a seu modo e a seu ritmo. Cabe a cada pessoa, a cada comunidade, a cada povo construir os seus próprios caminhos, sabendo que o caminho se faz ao caminhar. Mas nessas redes em que a solidariedade compõe a luta por justiça e liberdade para todas as pessoas, com anseios por ternura, beleza e alegria, brota em toda parte o desejo de compartilhar o que se vive e de aprendermos juntos/as, crescendo a cada dia no intercâmbio de realizações e descobertas

Princípios Fundantes da Rede Paranaense de Ativismo e Cidadania

Alguns princípios sobre Redes, propostos por Francisco Whitaker, norteiam a REPACI:

Autonomia: Cada integrante mantém sua independência em relação à rede e aos demais integrantes. Numa rede não há subordinação.
Valores e objetivos compartilhados: O que une os diferentes membros de uma rede é o conjunto de valores e objetivos que eles estabelecem como comuns.

Vontade: Ninguém é obrigado a entrar ou permanecer numa rede. O alicerce da rede é a vontade.

Conectividade: Uma rede é uma costura dinâmica de muitos pontos. Só quando estão ligados uns aos outros é que indivíduos e organizações mantêm uma rede.

Participação: A cooperação entre os iintegrantes de uma rede é o que a faz funcionar. Uma rede só existe quando em movimento. Sem participação, deixa de existir.

Multiliderança: Uma rede não possui hierarquia nem chefe. A liderança provém de muitas fontes. As decisões também são compartilhadas.

Informação: Numa rede, a informação circula livremente, emitida de pontos diversos e encaminhada de maneira não linear a uma infinidade de outros pontos, que também são emissores de informação.

Descentralização: Uma rede não tem centro. Ou melhor, cada ponto da rede é um centro em potencial.

Múltiplos níveis: Uma rede pode se desdobrar em múltiplos níveis ou segmentos autônomos, capazes de operar independentemente do restante da rede, de forma temporária ou permanente, conforme a demanda ou a circunstância. Sub-redes têm o mesmo “valor de rede” que a estrutura maior à qual se vinculam.

Dinamismo: Uma rede é uma estrutura plástica, dinâmica e em movimento, que ultrapassa fronteiras físicas ou geográficas. Uma rede é multifacetada. Cada retrato da rede, tirado em momentos diferentes, revelará uma face nova.

Equipe de Facilitadores do Projeto Ativiso e Cidadania
Francisco Carlos dos Santos
Gabriel Henrique Furquin
Márcia Elisa Gonçalves Carvalho
Paulo Wesley Faccio
Roni Lima
Silvana Gomes dos Santos

Coordenador
Paulo Wesley Faccio

Assistente de Coordenação
Silvano Augusto Rigato

Participação
Marcelo Araújo Campos
Sandra Batista

Monitorias
Skarlett O’Hara
Tania Wosniak


Agenda de Instauração da REPACI
de 05 a 07 de dezembro de 2002
Londrina - Paraná

PARCEIROS

 

 
 
 
O que leva você a não usar o preservativo?

Carência
Amor
Fidelidade
Não ter a mão na hora H
Dificuldade em comprar
Vergonha
Minha religião não permite
Não gosto
Não sei

Sexo:
M. F.

Idade:
12 á 19
20 á 30
31 á 40
41 á 55
+ de 55

Rua Leila Diniz, 620 - Conjunto Vivi Xavier  - Londrina - PR - Fone: (43) 3328-5967