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"Amar é ser cumplice do sonho alheio".
A.R. de Sant'Anna


> ESTIMATIVA DE CASOS NOVOS DE DST - OMS
> PANORAMA GLOBAL DAS DST

As principais dúvidas sobre o HIV, Aids e etc.

1. O QUE É AIDS?
2. HIV
3. Formas de transmissão do HIV
4. Como se prevenir
5. Prazer com sexo seguro
6. Sangue, droga e seringas
7. Gravidez, parto e amamentação
8. Testes para detectar o HIV
9. E se o teste é positivo?
10. Medicamento qualidade de vida
11. O que são DST?
12. As DST são graves?
13. Quais as conseqüências das DST?
14. Como fazer o tratamento das DST?
15. Como fazer a prevenção das DST e do HIV?

16. LIPODISTROFIA

17. HOMOSEXUALIDADEs


O QUE É AIDS?

AIDS vem da expressão em inglês Acquired Imunedeficiency Síndrome, traduzida em português para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, e tem sua origem no HIV (human imunodeficiency vírus ou vírus da imunodeficiência humana), descoberto em 1983.

Por ser um conjunto de doenças e vários tipos de mal-estar que aparecem juntos, a AIDS é chamada de síndrome. Entre seus sintomas mais comuns estão diarréia, vômito, gânglios inchados, "sapinhos", perda de peso acentuada, ou doenças como sarcoma de Kaposi (um tipo de câncer visível em manchas na pele), tuberculose, toxoplasmose, herpes etc. Ou seja, são sintomas e doenças conhecidas - e cada uma por si não apresentaria muitos riscos para uma pessoa saudável.

O problema é que elas podem aparecer juntas e se tornarem graves. Essa falha nas defesas do organismo se chama imunodeficiência, isto é, aquilo que em estado saudável seria simples e relativamente inofensivo torna-se, em caso de AIDS, muito mais complexo. A AIDS é doença do sistema imunológico, descrito pelos cientistas como um conjunto de células organizadas para proteger o corpo das infecções. Com o sistema imunológico em falha, as infecções podem se tornar muito mais graves do que normalmente são. As infecções que se aproveitam das falhas do sistema imunológico são chamadas de infecções oportunistas.

Quando se fala em AIDS, é muito comum se ouvir a frase: "Isso não tem nada a ver comigo". Muitas pessoas ainda pensam que AIDS é um problema apenas de alguns grupos da população, como as prostitutas, os gays ou os usuários de drogas. Na verdade, esse tipo de pensamento é muito perigosos, porque, ao achar que a AIDS não faz parte do seu mundo, as pessoas não tomam as medidas de prevenção necessárias e acabam se infectando.

A AIDS é um problema de todos nós, qualquer um pode ser infectado pelo HIV. Além disso, mesmo que a gente não tenha a doença, ela nos atinge: sofremos por perder amigos ou fazemos sofrer aqueles que, por medo da discriminação, não dividem conosco o problema.

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HIV

O HIV tem características muito particulares: uma vez no corpo da pessoa, ele pode ficar muito tempo sem se manifestar; portanto, diz-se que sua infecção é "lentas". Muitas vezes, a pessoa está infectada mas não sabe, porque não tem sintomas, sendo chamada na linguagem médica de "soropositiva assintomática". Mesmo neste caso, a pessoa pode transmitir o vírus.

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Formas de transmissão do HIV

- Durante relação sexual com parceiro(a) infectado(a) sem preservativo. A penetração (na vagina ou no ânus) sem camisinha é considerada uma prática de alto risco; já a de sexo oral sem preservativo é tida como de baixo risco, desde que não haja ejaculação;

- Através de sangue contaminado (via transfusões ou derivados de sangue ou mesmo por agulhas de injeção infectadas);

- Na gestação, parto ou amamentação, quando a mãe é soropositiva.

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Como se prevenir

A camisinha, seja ela masculina ou feminina, evita não só a transmissão do HIV como das outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Ela pode introduzir uma nova brincadeira na transa e trazer mais consciência para os(as) parceiras(as) sobre o sexo, porque leva as pessoas a falarem sobre o assunto.

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Prazer com sexo seguro

O mais importante é usar a imaginação. A camisinha não é tudo: o que interessa é evitar a troca de líquidos durante a transa. Tanto o esperma quanto os fluidos da vagina e o sangue menstrual podem ter o HIV e qualquer dos(as) parceiros(as) pode se contaminar numa transa: homem com homem ou com mulher; mulher com homem e mesmo com outra mulher.
Você pode praticar o sexo mais seguro à sua própria maneira: pode brincar, bolinar, acariciar, beijar, masturbar, soltar a imaginação. Brinque com a camisinha e não goze dentro do corpo sem ela.
dicas sobre a camisinha

- Não se iniba de comprar preservativo. Lembre-se de que você está fazendo algo pela sua saúde e pela saúde de seu parceiro ou parceira. Se não puder comprar, procure pontos de distribuição grátis, em organizações comunitárias ou postos de saúde, por exemplo.

- Procure ter sempre com você algumas camisinhas. Masculinas ou femininas. Nunca se sabe a que horas pode acontecer uma transa.

- Não estoque preservativos por muito tempo: eles estragam com o calor e a umidade.

- Não reclame se o preservativo masculino parecer pequeno. Ele estica muito e cabe sempre.

- Se você usar da maneira correta, a camisinha não rasga: no caso do preservativo masculino, deixe um espacinho na ponta, sem ar, para poder gozar sem romper. Além disso, não coloque óleos comuns usados para ajudar a penetrar. Óleo e vaselina não combinam com o material da camisinha, e o mesmo acontece com a saliva. Por isso, deve-se usar lubrificantes à base de água, como K-Y, Preserv-gel etc.

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SANGUE, DROGAS E SERINGAS


O sangue é a forma mais direta de transmissão do HIV. Quando o sangue seca, fora do corpo, deixa de haver problema, mas quando há passagem de sangue vivo ou compostos de sangue de um corpo para o outro pode haver infecção. Quando se começou a conhecer a epidemia, muitos hemofílicos haviam sido atingidos porque tinham recebido transfusões e derivados de sangue contaminado. Igualmente, muitas pessoas que receberam transfusões por causa de cirurgias vieram a adoecer anos mais tarde com um quadro de AIDS. O problema é que o sangue que se usava para salvar vidas estava com HIV. Hoje, é criminoso distribuir sangue não testado e, se tiver vírus, deve ser descartado. Não há problema em doar sangue e, se este for testado, também não há problema em recebe-lo.
Outra maneira de passar sangue de uma pessoa para a outra é através de agulhas e seringas. Se uma seringa que contém sangue contaminado e fresco for reutilizada em outra pessoa, pode introduzir o vírus em seu corpo. Os profissionais de saúde devem seguir as normas de biossegurança e sempre descartar as seringar e agulhas. Devem fazer a mesma coisa os usuários de drogas injetáveis, pois quando uma seringa é passada numa roda, por exemplo, alguém pode estar infectando todo mundo. Levadas pelo entusiasmo, as pessoas até podem esquecer esse detalhe, que é muito importante e fácil de contornar: basta que cada um tenha a sua própria seringa.
As seringas devem ser baratas e acessíveis para quem as usa: existem programas que as distribuem gratuitamente, ajudam a trocar ou ensinam a esterilizar a agulha, no caso de ser totalmente impossível ter uma nova.
Outros instrumentos cortante oferecem pouco risco de transmissão do HIV. Ainda assim, devem ser descartáveis ou esterilizados, já que inúmeras outras doenças graves se transmitem por essa via.

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GRAVIDEZ, PARTO E AMAMENTAÇÃO

Os bebês também podem se infectar através de suas mães no útero, no parto e mesmo na amamentação. A proporção entre bebês infectados e saudáveis nascidos de mães soropositivas tem variado. Alguns recém-nascidos que têm um teste HIV positivo poderão estar apenas com reação ao vírus de suas mães e, se eles próprios não receberam o vírus, poderão ter mais tarde um teste negativo e crescer saudáveis. Por essa razão, quando a mulher é soropositiva, a decisão sobre uma possível gravidez deve ser examinada e discutida com clareza com pessoas da sua confiança e com um médico.
O mesmo vale para a amamentação. O leite materno é o alimento ideal para o bebê porque, além de nutrir, protege das diarréias e outros distúrbios gastrointestinais que tantas vezes causam a morte infantil, principalmente em populações carentes. Entretanto, devido aos riscos de transmissão do HIV para os bebês através do leite materno, o Ministério da Saúde recomenda que as mães soropositivas não amamentem os seus filhos nem doem leite. Segundo a portaria da Secretaria Nacional de Assistência à Saúde nº 97, de 28/8/95, os filhos de mães soropositivas que necessitarem do leite materno para sobrevivência poderão receber o leite de suas próprias mães, desde que adequadamente pausteurizado.

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TESTES PARA DETECTAR O HIV

Existem vários testes para saber se estamos infectados pelo HIV ou não. Algumas pessoas, mesmo sem sintomas de AIDS, sentem necessidade de fazer o teste. Hoje existem centros de testagem anônima, onde é possível faze-lo gratuita e confidencialmente.
Os testes mais usados são o Elisa e o Western-Blot, que, com técnicas diferentes, reagem à presença de anticorpos para o HIV. A partir deles, a pessoa que esteve exposta ao HIV e criou anticorpos, fazendo reagir o teste, pode descobri-se soropositiva.
O Elisa tem maior "sensibilidade", podendo por vezes dar "falsos positivos" (pessoas com o teste positivo sem ter realmente o vírus) e deve ser confirmado com o Western-Blot, que possui maior "especificidade".

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E SE O TESTE É POSITIVO

Por causa dos medos e preconceitos que ainda existem sobre a doença, muita gente que se descobre HIV positiva se sente à espera da morte e, com isso, muitas vezes, até agrava o seu estado de saúde. Nada disso. A pessoa soropositiva deve prosseguir a vida normalmente, esclarecer os outros, prestar atenção à sua saúde, escolher um médico para acompanha-lo e participar da luta para que os governos e a ciência consigam mais terapias, remédios, esquemas de prevenção e outros meios de fazer parar a epidemia.

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MEDICAMENTOS: QUALIDADE DE VIDA

A ciência vem fazendo grandes progressos em relação ao desenvolvimento de medicamentos, que impedem a evolução do HIV no corpo e, com isso, permitem que a pessoa HIV positiva possa ter uma vida com qualidade.
O chamado "coquetel" (remédio diferente que, juntos, bloqueiam a ação do HIV no organismo) é um direito conquistado por todos os brasileiros soropositivos; ele é distribuído gratuitamente nos postos de saúde de todo o País. Essa distribuição gratuita é resultado direto da luta das organizações da sociedade civil e de muitos ativistas, e dos esforços governamentais.
No entanto, há um ponto fundamental para que os medicamentos para combater a AIDS funcionem da maneira desejada: a adesão ao tratamento. Ou seja, é imprescindível que a pessoa HIV positiva tome os remédios prescritos por seu médico nas horas indicadas e não deixe de seguir todas as recomendações prescritas. Portanto, para que o tratamento seja bem-sucedido, é essencial que a pessoa soropositiva esteja consciente da importância de aderir ao tratamento. Seguindo as recomendações médicas, no mais é viver e procurar ser cada vez mais feliz.

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O que são DST?

São doenças causadas por vírus, bactérias ou outros micróbios. Transmitem-se, principalmente, nas relações sexuais.

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As DST são graves?

As doenças sexualmente transmissíveis (DST) são um grave problema de saúde pública porque:
· Facilitam a transmissão sexual do HIV (vírus da AIDS);
· Quando não diagnosticados e tratados a tempo, podem levar a pessoa portadora a ter complicações graves e até à morte;
· Algumas DST, quando acometem gestantes, podem provocar o abortamento ou o nascimento com graves malformações.

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Quais as conseqüências das DST?

Quando não tratadas adequadamente, as DST podem causar sérias complicações, além do risco de pegar outras DST, inclusive o vírus da AIDS. Essas complicações podem ser:
· Esterilidade no homem e na mulher (a pessoa não pode mais ter filho);
· Inflamação nos órgãos genitais do homem, podendo causar impotência;
· Inflamação no útero, nas trompas e ovários da mulher, podendo complicar para uma infecção em todo o corpo, o que pode causar a morte;
· Mais chances de ter câncer no colo do útero e no pênis;
· Nascimento do bebê antes do tempo ou com defeito no corpo ou até mesmo a sua morte na barriga da mãe ou depois do nascimento.

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Como fazer o tratamento das DST?

Cada DST tem um tipo de tratamento e só o profissional de saúde poderá avaliar a fazer essa indicação corretamente. Fazer o tratamento certo é:
· Só tomar remédio indicado pelo serviço de saúde;
· Tomar o remédio na quantidade certa, nas horas certas e até o fim, mesmo que os sintomas e sinais tenham desaparecido;
· Evitar relação sexual nesse período e, se não der para evitar, só manter relações usando camisinha;
· Voltar ao serviço de saúde ao terminar o tratamento, para fazer a revisão (controle de cura). E as mulheres, para fazerem também o exame preventivo do câncer de colo do útero (o médico dirá se esse exame pode ser realizado).
·Levar o parceiro sexual para ser tratado também.

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Como fazer a prevenção das DST e do HIV?

· A melhor forma de prevenir a transmissão das DST é usar sempre e corretamente a camisinha em todas as relações sexuais;
· Não compartilhar agulhas e seringas com outras pessoas;
· No caso de necessitar receber uma transfusão de sangue, exija que ele seja testado para todas as doenças que podem ser transmitidas pelo sangue.

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Ciclo de Vida do HIV

O HIV é um vírus. Os vírus são germes microscópicos que, devido a sua incapacidade de auto-reprodução (replicação), precisam infectar uma célula que servirá como hospedeira para a produção de novos vírus.

Fora da célula, o HIV é conhecido como virion e é circundado por um envelope protetor, o qual circunda também uma determinada quantidade de proteínas virais e algum material genético, um “plano” contendo toda a informação necessária para a criação de novos vírus.

Os vírus podem ser divididos em duas classes: aqueles cujo material genético consiste de DNA, e aqueles cujo material genético consiste de RNA, como o HIV. Os vírus de RNA são chamados retrovírus e o seu processo de reprodução é um pouco mais complexo que o dos vírus compostos de DNA.

Fusão
Freqüentemente, os vírus tendem a infectar determinadas células nos hospedeiros humanos, animais e vegetais. O HIV infecta, principalmente, as células contendo a molécula CD4 em suas superfícies. A CD4 é encontrada em células imunológicas, principalmente nas T-auxiliares que são responsáveis pelo funcionamento do sistema imunológico, e, também, nos macrófagos, células que percorrem o organismo combatendo bactérias e outros germes.

Para penetrar nas células, o HIV une-se ao receptor da CD4 através da molécula gp120 que é encontrada em sua superfície. Uma vez unido à CD4, o HIV ativa outras proteínas na superfície da célula humana, conhecidas como CCR5 e CXCR4, completando assim a fusão.

São chamados inibidores de fusão os medicamentos anti-HIV que atacam o vírus nesse estágio do seu ciclo de vida. O inibidor T-20 (enfuvirtude, Fuzeon), combinado com outros anti-retrovirais, mostrou resultados positivos em experimentos, pois para bloquear o HIV, o T-20 une-se ao vírus, enquanto que outros inibidores de fusão talvez unam-se às proteínas CCR5 ou CXCR4.

Transcrição reversa
Uma vez ocorrida a fusão, a parte interior do vírus, composta pelo RNA e algumas enzimas importantes, é absorvida pela célula humana. Em seguida, a enzima viral denominada transcriptase reversa decodifica o material genético do HIV, ou seja, o RNA para DNA.

Três classes de medicamentos anti-HIV atacam o vírus nesse estágio: os análogos de nucleosídeo (AZT/zidovudina, ddI/didanosina, 3TC/lamivudina, d4T/lamivudina, ddC/zalcibatina e abacavir); os inibidores não-nucleosídeos da transcriptase reversa (efavirenz, neviparina, delavirdina); e os análogos de nucleotídeo (tenofovir).

Integração
O DNA viral, recém-formado, integra-se ao DNA da célula hospedeira humana através da enzima viral chamada integrase, permitindo assim que o HIV “reprograme” a célula humana para criar mais vírus. Ainda em fase inicial de desenvolvimento, os inibidores de integrase retardam esse estágio do ciclo de vida do HIV.

Transcrição
Nesse estágio, as duas variações do DNA dividem-se, formando uma nova variação do RNA viral, conhecido como RNA mensageiro.

Decodificação
Em seguida, os blocos de construção das proteínas que formarão a nova partícula do HIV agrupam-se dentro da célula humana, organizando-se a partir da decodificação das informações contidas no RNA mensageiro.

Formação Viral
A enzima viral chamada protease corta os blocos de construção das proteínas em partes menores, formando a estrutura da nova partícula do HIV que inclui todas as enzimas e proteínas necessárias para a repetição do processo reprodutivo. Na seqüência, a nova partícula viral desenvolve-se na célula humana e entra na corrente sanguínea, podendo assim infectar outras células. Estima-se que aproximadamente 10,3 bilhões de novos virions são formados diariamente em pessoas que não usam o HAART (terapia anti-retroviral altamente potente).

Os inibidores de protease (indinavir, ritonavir, saquinavir, nelfinavir, amprenavir, lopinavir, atazanavir, tripanavir) atacam esse estágio do ciclo de vida do HIV.

http://www.aidsmap.com/pt/docs/8A48F9D3-F98D-4E68-8294-3A57DB00CF9A.asp

• Infecção Primária

Diz-se infecção primária ou infecção aguda aos primeiros meses após uma pessoa ter sido infectada com VIH. Quando o VIH entra no corpo o sistema imune não está preparado para o atacar, pelo que o VIH de reproduz até níveis muito elevados. Um teste de carga viral nesta fase mostra níveis muito elevados de VIH no sangue – muitas vezes nunca mais atingirá níveis tão elevados.

Os níveis de VIH no sémen, no leite materno e nos fluídos vaginais podem ser também muito elevados. Isto mostra que o risco de transmissão de VIH a outras pessoas pode também ser muito elevado durante a infecção primária.

São precisas várias semanas após a infecção para que o corpo crie células imunes que possam reconhecer e destruir as células infectadas pelo VIH e produzir anticorpos contra o VIH. A altura em que aparecem os anticorpos é chamada seroconversão. Quando esta resposta imune contra o VIH se desenvolve a carga viral cai para níveis mais baixos que variam de pessoa para pessoa. A infecção pelo VIH é para toda a vida. Nem o sistema imune nem os tratamentos que dispomos são capazes de irradicar o VIH uma vez a pessoa esteja infectada.

Sintomas de infecção primária
Os níveis elevados de reprodução e de activação da resposta imune pode causar uma grande variedade de sintomas, que podem ser muito parecidos a um síndrome gripal ou outras infecções virais frequentes. Ao conjunto destes sintomas chama-se doença de seroconversão ou síndrome retroviral agudo e em geral só dura uma ou duas semanas.

Estes sintomas podem incluir febre, rash, aumento dos gânglios, dores de garganta, úlceras da boca e garganta, dores musculares e articulações. Pelo menos 50% das pessoas infectadas referem ter tido esses sintomas. Muitas pessoas não têm sintomas na seroconversão e não é pois possível diagnosticar a infecção sem fazer testes. Vários estudos sugerem que quanto mais graves e prolongados forem os sintomas durante a infecção primária, mais depressa se desenvolvem os sinais de SIDA.

Tratamento da infecção primária
Alguns médicos acham importante que se possa dar um tratamento curto de três meses com três ou quatro antiretrovirais a pessoas que tenham tido contacto recente com o VIH tendo em vista limitar a disseminação do VIH pelo corpo e aumentar a resposta imune ao VIH.

Ensaios clínicos mostraram que o tratamento durante a infecção primária resulta numa diminuição significativa da carga viral e uma menor infecção dos tecidos linfáticos. O tratamento durante a infecção aguda também parece reverter a queda nos CD4 que se verifica nesta altura. Contudo, não se sabe se isto irá afectar o prognóstico a longo prazo.

Há alguma evidência de que o tratamento precoce pode alterar e melhorar a resposta imune ao VIH. As investigações mostraram que o tratamento durante a infecção primária, particularmente se dado tão depressa quanto possível após a seroconversão e pelo menos nos primeiros seis meses podem proteger e sustentar a resposta imune celular que o organismo cria para lutar contra o VIH que se perde uma vez infectado pelo vírus. Outras investigações sugerem que a contagem de CD4 das pessoas que receberam tratamento durante a infecção primária são significativamente mais elevadas após um ano do que naqueles que o não fizeram .

Durante a infecção primária as grandes quantidades de VIH presentes no sangue e nos fluídos genitais aumentam o risco de transmissão que é maior do que em fases posteriores da infecção. O tratamento precoce tem a potencialidade de reduzir o primeiro pico de carga viral e o risco de contágio do VIH.

Contudo, os estudos sobre a infecção primária continuam e não há ainda verdadeiras respostas acerca dos benefícios. Alguns médicos questionam se os benefícios de um tratamento precoce se mantêm a longo prazo ou depois de suspender o tratamento. Nalguns casos as pessoas desenvolvem sintomas de uma nova infecção primária após a suspensão do tratamento. Os argumentos a favor do tratamento precoce necessitam de ser confrontados com os riscos dos efeitos secundários a longo prazo da medicação antiretroviral. A lipodistrofia, uma perturbação no processo de uso e deposição de gordura corporal e outras alterações metabólicas foram encontradas em pessoas que fizeram tratamento precoce. Pode haver outros benefícios para a saúde que sejam ainda desconhecidos.

O tempo que demorou para saber se tinha o VIH deve ter sido bastante stressante, preocupante e confuso. Foi preciso estar bem e à altura nas primeiras semanas ou meses a seguir ao diagnóstico antes de se decidir se tomava medicamentos. É importante estar bem convencido a tomar a medicação antiretroviral dado que ela tem que ser tomada rigorosamente para evitar a emergência de vírus resistentes. As opções de tratamento precoce podem aumentar as hipóteses do desenvolvimento de resistências aos medicamentos a curto e a médio prazo e portanto a opção do uso do melhor tratamento antes que os sintomas apareçam.

Há um certo número de ensaios clínicos para avaliar os benefícios de tratar a infecção primária com vacinas experimentais e/ou outros tratamentos imunológicos e com medicamentos antiretrovirais e você deve considerar a entrada num deles. Um dos objectivos desses ensaios é encontrar a possibilidade de um controle eficaz a longo prazo sem uma medicação contínua.

Fonte: http://www.aidsmap.com/pt/docs/857741ED-F190-44C8-8B87-49148C80F0F4.asp

Lipodistrofias: Saiba como previnir e tratar

A lipodistrofia caracteriza-se pelas alterações na massa corpórea em pessoas soropositivas que estão passando pela Terapia Anti-retroviral Altamente Ativa (HAART), também conhecida como terapia de combinação ou coquetel.

Pode ocorrer aumento de gordura na região do abdômen/ventre (gordura central), entre os ombros, em volta do pescoço ou no tórax (especialmente em mulheres) ou perda de gordura da pele, mais aparente nos braços, pernas, nádegas e rosto, resultando em enfraquecimento da face, atrofiamento das nádegas e veias aparentes nas pernas e braços. Somente este tipo específico de perda de gordura está diretamente relacionado ao HIV. O aumento de peso pode ser causado por mudanças no metabolismo que também ocorrem em pessoas não infectadas.

O ganho central de gordura, que também interfere na alimentação, se dá no abdômen, tornando-o estufado e consistente. Além disso, essas mudanças podem vir acompanhadas por alterações no metabolismo - níveis de gordura e açúcar no sangue - e pelo aparecimento de pequenas alterações de gordura em algumas partes específicas do corpo, os chamados lipomas.

As transformações na gordura do corpo não aparecem apenas para piorar o estado de saúde do paciente no futuro. Elas podem ser irritantes e desconfortáveis. Mudanças persistentes no metabolismo do açúcar e da gordura, junto com aumento da gordura central, podem aumentar o risco de doenças cardíacas, especialmente se estiverem associadas a outros fatores de risco como o cigarro ou a predisposição genética. O que se deve buscar, portanto, é qualidade de vida.

Prevenindo e tratando as alterações na gordura do corpo

No momento, todas as estratégias de tratamento estão baseadas em pressuposições, já que ainda não é possível identificar as causas reais da lipodistrofia. Existem mais evidências de que as combinações baseadas no medicamento D4T podem aumentar o risco de perda de gordura. Também está claro que as pessoas que iniciam o tratamento com uma combinação que contém inibidores da transcriptase reversa não-análogo de nucleosídeo (ITRNN) parecem ter menos aumento de lipídio. A lipodistrofia pode ser adiada caso o soropositivo não inicie uma terapia de combinação, mas o risco de não estar passando por nenhum tratamento contra o HIV deve ser considerado, pois é fato que a perda de gordura é mais comum em pessoas que começam o tratamento com contagem de células CD4 abaixo de 200.

Lipodistrofia e mudança de tratamento

Não há uma evidência forte vinda de grandes estudos mostrando que mudar o tratamento com um inibidor de protease para uma combinação sem essa classe de droga diminui a perda de gordura do corpo. Pequenas melhoras no acúmulo de gordura abdominal apareceram em alguns estudos pequenos, mas a taxa de perda de gordura pode diminuir após essa mudança. Ainda é incerto que a perda seja interrompida, ou retomada, caso haja mudança de nucleosídeos análogos.

No entanto, alguns estudos têm mostrado que os níveis de lipídio, glicose e insulina normalmente caem após a mudança de um inibidor de protease para uma combinação baseada em ITRNN, especialmente neviparina. Mas vale lembrar que eles podem não retornar a níveis normais. Qualquer mudança no tratamento que possa melhorar as alterações na gordura do corpo ou os níveis de lipídios precisa ser balanceada contra as evidências claras de que pessoas que já usaram nucleosídeos e atingiram carga viral indetectável e, mais tarde, mudaram de um inibidor de protease para uma outra combinação, correm um grande risco de aumentar a carga viral novamente. Ou seja, se houver mudança no tratamento aumentam as chances do vírus tornar-se resistente e, então, estreitar as opções de tratamento no futuro. Mudar para uma nova combinação pode significar também o aparecimento de novos efeitos colaterais.

Interrupção do tratamento

Algumas pessoas escolhem interromper o tratamento com o objetivo de lidar com as alterações na gordura do corpo. No momento, não existem provas claras de que essa opção reverteria as alterações na gordura, mas os níveis de lipídio e insulina poderiam ser reduzidos em poucos meses. É importante estar ciente dos riscos de interromper o tratamento.

Se a Aids for diagnosticada antes do início da terapia de combinação, aumentam em cinco vezes as chances da carga CD4 cair ao nível de 200 células (o nível de risco para doenças futuras relacionadas à Aids) em relação aos casos em que os pacientes não tiveram Aids ou iniciaram o tratamento com um nível maior de células CD4. Interromper o tratamento com uma contagem de CD4 abaixo de 200 significa correr o risco de desenvolver doenças decorrentes da Aids imediatamente. Além disso, reiniciar o tratamento com a mesma droga pode não funcionar.

Tratando o ganho de gordura

Atualmente, não existe um tratamento que reverta todas as alterações na gordura do corpo. Algumas pessoas que interromperam o tratamento reportam melhoras, mas não voltam ao normal. Mudanças na dieta não apresentaram melhoras nas alterações de gordura no corpo; logo, comer menos parece não ajudar (mas isso pode contribuir para a redução dos níveis de colesterol). Ainda em fase de teste clínico, o hormônio de crescimento humano pode diminuir o acúmulo de gordura no abdômen e nos ombros. No entanto, efeitos colaterais como dores nas juntas, inchaço nas mãos e pés e surgimento de diabetes têm sido observados em algumas pessoas com lipodistrofia que receberam este tipo de tratamento.

Alguns esteróides anabólicos também estão sendo testados para o mesmo fim. O acúmulo de gordura na região abdominal em homens mais velhos tem sido relacionado à queda de testosterona. Os anabolizantes encorajam o crescimento do tecido de músculo na costa da gordura subcutânea e isso pode aumentar a taxa de perda de gordura no rosto e nos membros. Mas eles podem causar futuros aumentos no colesterol e ainda danificar o fígado.

Entre as alternativas para tratar a lipodistrofia em pessoas com HIV, a atividade física têm se mostrado uma boa opção. Exercícios de resistência, que definem os músculos e queimam os triglicérides estocados na gordura do corpo, associados a exercícios aeróbicos, ajudam a controlar essas transformações. Além disso, ambas as atividades fazem aumentar os níveis de colesterol HDL ("colesterol bom") e protegem contra doenças cardíacas. O ideal é, portanto, fazer uma combinação de exercícios aeróbicos (queima de oxigênio) como caminhadas, natação, ciclismo e até dança, e exercícios de resistência, como musculação.

Cirurgias plásticas e procedimentos estéticos

Nos casos de acúmulo de gordura, às vezes, a troca do esquema terapêutico, quando possível, e sempre por orientação do médico, pode trazer melhorias, levando à diminuição das gorduras dos seios e do abdomem. O excesso de gordura pode também ser tratado por procedimento cirúrgico ou lipoaspiração.

A perda de gordura da face tem sido muito valorizada ultimamente, pois compromete a estética, leva à diminuição da auto-estima e da qualidade de vida do paciente. No Brasil tem sido utilizado, por cirurgiões plásticos e dermatologistas, o implante facial com metacrilato com excelentes resultados, levando a uma melhora do estado psicológico do paciente.

O tratamento da perda de gordura no rosto consiste no preenchimento das áreas atrofiadas, podendo ser utilizados materiais preenchedores temporários ou permanentes. Os preenchimentos temporários consistem de auto-implante de gordura, ácido hialurônico, colágeno, e ácido polilático. Sua duração varia de 3 a 9 meses, de acordo com o material utilizado, e normalmente são utilizados em casos leves, ou em áreas onde o preenchimento permanente não pode ser utilizado.

O metacrilato, a poliacrilamida e o silicone são preenchedores permanentes, que em vários estudos tem demonstrado trazer melhores resultados, principalmente na relação custo/benefício. No Brasil, o mais utilizado é o metacrilato, pois além de se obter excelentes resultados estéticos e duradouros com este material, ele tem um custo menos elevado. O tratamento consiste de injeções, feitas paralelamente nas áreas atrofiadas. É um procedimento relativamente simples, mas que só deve ser realizado por profissional médico experiente e capacitado.

A correção destas alterações pode devolver ao paciente o aspecto normal, melhora sua auto-estima e permite uma convivência social mais tranqüila.

Técnicas para o preenchimento cutâneo

O preenchimento cutâneo é uma técnica utilizada na cirurgia plástica para a correção de sulcos, rugas e cicatrizes. Consiste na injeção de substâncias sob a área a ser tratada elevando-a e diminuindo a sua profundidade, com conseqüente melhora do aspecto. A técnica, desenvolvida por dermatologistas, pode ser realizada no consultório, sendo um procedimento rápido e que não necessita nem mesmo de anestesia. Se desejado, podem ser utilizados anestésicos tópicos, sob a forma de cremes, aplicados uma hora antes do procedimento, para atenuar a sensação da picada da agulha. A técnica já é bastante utilizada para a correção do sulco nasogeniano (aquele que se acentua com o sorriso) ou os sulcos ao redor dos lábios. Algumas das substâncias mais utilizadas são o ácido hialurônico, o colágeno e o metacrilato.

O ácido hialurônico é atualmente considerado um dos produtos mais seguros para a realização do preenchimento cutâneo. Apesar de ser produzido em laboratório, o ácido hialurônico é um componente natural da derme, segunda camada da pele, não causa alergias e dispensa testes prévios. A duração do preenchimento varia de 6 a 10 meses (Restylane) ou 10 a 16 meses (Perlane), sendo necessária nova aplicação após este período.

O colágeno é obtido a partir de animais (boi e porco) e necessita de 2 testes prévios para averiguar possível alergia ao produto. Precisa ser reaplicado a cada 6 meses pois também sofre reabsorção. Já o metacrilato é um preenchedor definitivo. Por não ser reabsorvido pelo organismo, seus resultados são duradouros e é mais utilizado para correção de sulcos profundos. Alguns produtos comerciais necessitam de teste prévio por conterem pequena quantidade de colágeno em sua fórmula.

Uma variação desta técnica é o auto-enxerto de gordura, na qual retira-se gordura de uma área do corpo onde esteja em excesso (através de lipoaspiração) e injeta-se sob a ruga elevando-a. Esta, porém, já é uma técnica mais trabalhosa que exige anestesia e outros cuidados para a obtenção do material gorduroso a ser injetado. Ideal para aqueles que desejam livrar-se de gorduras extras em áreas localizadas e vão se submeter a uma lipoaspiração. A gordura retirada será então aproveitada para o preenchimento cutâneo. Uma parte da gordura injetada é reabsorvida, porém boa parte dela permanece definitivamente no local. A técnica tem sido chamada de lipoescultura.

Sem cobertura

O maior problema é que os procedimentos para tratar a lipodistrofia ainda são considerados estéticos e raramente são cobertos pelos planos de saúde. Por sua vez, esse tipo de intervenção não está disponível das unidades do Sistema Único de Saúde que atendem Aids, com exceção de alguns poucos protocolos clínicos no Rio e em São Paulo. Esta é uma reivindicação antiga das ONGs/Aids, que levaram o problema à Conferência Nacional de Saúde, ocorrida em dezembro de 2003, conforme consta no relatório final do evento.

Fontes: NAM, ONG do Reino Unido especializada em informações sobre tratamentos do HIV/Aids; Sociedade Brasileira de Dermatologia; Site: www.dermatologia.net (coordenado pelo Dr. Roberto Barbosa Lima); Dr. Márcio Serra.

Uso do metacrilato: além da estética
por Márcio Serra

A lipoatrofia facial continua sendo um dos mais marcantes efeitos adversos da infecção pelo HIV e tratamento com os anti-retrovirais. Hoje em dia sabemos, por exemplo, que os inibidores de transcriptase reversa, principalmente a estavudina (D4T), causam toxicidade às mitocôndrias das células de gordura, o principal mecanismo responsável pela perda do tecido adiposo periférico.

O uso do polimetilmetacrilato para tratamento da lipoatrofia facial, dos pacientes infectados pelo HIV com lipodistrofia, já apresenta cinco anos de acompanhamento e tem se mostrado um método seguro, relativamente simples, e de melhor relação custo benefício, quando comparado a outros preenchedores, permanentes ou não, utilizados para o tratamento da lipoatrofia facial, como o ácido polilático, ácido hialurônico, poliacrilamida, auto-transplante de gordura, e silicone (pela técnica de micro-gotas).

Os resultados cosméticos são excelentes, mas a grande vantagem do tratamento é que ajuda a resgatar a auto-estima dos pacientes, que, segundo seus depoimentos, voltam a se reconhecer ao espelho, conseguindo modificar seu quadro psíquico e, desta forma, adquirir uma melhora impressionante de sua qualidade de vida, acabando por auxiliar no tratamento anti-retroviral, pois ficam mais estimulados e passam a ter uma melhor adesão ao tratamento.

Atualmente, o Ministério da Saúde mantém um protocolo de pesquisa para tratamento da lipoatrofia facial com o metacrilato, do qual participará um total de 300 pacientes no Rio de Janeiro (HUCFF) e em São Paulo (HIER), para avaliação do método e posterior extensão do tratamento aos pacientes.

Mas, infelizmente, a lipoatrofia não ocorre somente na face, e a cada dia os pacientes se queixam cada vez mais do afinamento dos membros superiores e inferiores, visualização do arcabouço vascular das pernas, e da perda do tecido adiposo das nádegas que, por vezes, dificulta aos pacientes ficarem sentados por muito tempo. Esta alteração da morfologia corporal tem causado problemas sociais aos pacientes, principalmente às mulheres que sofrem uma masculinização de sua silhueta.

A lipoaspiração de áreas com acúmulo de gordura, como abdome, lipomas e gibas, com lipoenxertia das áreas atróficas, principalmente das nádegas, tem apresentado bons resultados, mas nem sempre o paciente possui áreas doadoras.

Há algum tempo, iniciei o preenchimento de outras áreas corporais além da face, como região interna das coxas, para diminuir a visualização das veias, área ao redor dos joelhos e nádegas com o polimetilmetacrilato. A técnica empregada tem sido retro-injeções em rede, e o resultado estético tem sido muito bom. A consistência do preenchimento nestas áreas é muito boa também. As únicas considerações a serem feitas, a princípio, são sobre o grande volume a ser empregado, 20 a 40ml por sessão, e o número de sessões, duas a quatro por área, tornando o procedimento caro e acessível somente a poucos.

Márcio Serra é médico dermatologista, membro da Câmara Técnica de Aids do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro


 

Lipoatrofia

A perda de peso, ou definhamento, é um dos sintomas mais comuns da infecção pelo HIV, podendo acontecer em qualquer estágio da doença. Esse sintoma deve ser tratado seriamente, pois a perda involuntária de peso é, freqüentemente, sinal de doença ou infecção ativa relacionadas ao HIV, podendo ainda reduzir a eficácia do sistema imunológico. Este Informativo deve ser lido juntamente com o de número 39 sobre Lipodistrofia (mudanças na forma física que podem ocorrer em algumas pessoas que tomam medicamentos anti-HIV).

Causas da perda de peso
A perda de peso ocorre quando o organismo consome mais nutrientes do que ele absorve dos alimentos, podendo acontecer por várias razões durante a infecção pelo HIV:

• O próprio HIV pode aumentar a taxa de nutrientes que o organismo consome (metabolismo elevado).

• O HIV pode alterar o revestimento do intestino, dificultando a absorção dos nutrientes (má-absorção intestinal).

• Outras infecções no intestino podem causar má-absorção e/ou diarréia.

• É provável que você se alimente menos do que o habitual, ou do que necessite, devido à falta de apetite durante o período em que sua saúde estiver debilitada.

• Certas condições específicas, tais como infecções de garganta e bucal, podem dificultar a alimentação.

• Alguns medicamentos podem diminuir o seu apetite ou causar efeitos colaterais tais como náusea, vômito, indigestão ou alteração no paladar, os quais o desistimularão a se alimentar.

Como evitar a perda de peso
Os modos mais eficazes de evitar a perda de peso são: tratar rapidamente as infecções relacionadas ao HIV e consumir nutrientes adequadamente. Lembre-se: é muito mais fácil evitar a perda de peso do que conseguir recuperá-lo.

Por isso, marque uma consulta com um nutricionista do NHS (Sistema Nacional de Saúde Britânico) logo após ter sido diagnosticado HIV positivo, ao invés de fazê-lo depois de ter começado a perder peso. Algumas clínicas grandes têm nutricionistas especializados em tratar portadores do vírus.

Um nutricionista pode ajudá-lo a elaborar uma dieta contendo a quantidade adequada dos principais tipos de nutrientes, recomendar alterações necessárias que se adaptem a qualquer medicamento que estiver tomando e também ajudá-lo a lidar com problemas tais como náusea. É provável que lhe prescrevam suplementos alimentares ou bebidas, se necessário, para aumentar a quantidade de nutrientes que você consome, o que é importante principalmente durante, ou imediatamente após, períodos em que a sua saúde estiver debilitada.

Se tiver sintomas tais como perda de apetite, náusea e diarréia persistentes, procure auxílio médico imediatamente. Ele pode tratar a causa dos sintomas, receitar medicamentos para aliviá-los, ou ainda, prescrever medicamentos alternativos, caso os problemas tenham sido causados por tratamentos anteriores.

Higiene ao preparar os alimentos, assim como cozinhá-los bem, reduz a possibilidade de contrair infecções intestinais por Salmonella e Campylobacter. Ferver água potável e evitar contato com fezes humanas e de animais são outras precauções que reduzem os riscos de contrair infecções causadas por parasitas como o Cryptosporidium.

Na tentativa de evitar ou reverter a perda de peso, terapias anti-HIV eficazes são vistas cada vez mais como um elemento fundamental, já que o tratamento com medicamentos anti-HIV leva, freqüentemente, a um aumento considerável de peso. O fortalecimento do sistema imunológico pode ser a melhor terapia disponível contra parasitas do intestino como o Cryptosporidium e o Microsporidium, os quais são difíceis de ser combatidos diretamente.

Contudo, a perda de peso pode ainda ocorrer em pessoas que tomam medicamentos anti-HIV e, por isso, precisa ser seriamente tratada. Estudos mostram que a perda de 10% do seu peso, num período de seis meses, pode deixá-lo gravemente doente em conseqüência da infecção pelo HIV, mesmo que continue tomando a medicação.

Como estimular o aumento de peso
Se você tiver perdido peso após ter tido uma infecção relacionada ao HIV, é provável que seu nutricionista lhe recomende aumentar a quantidade de calorias e proteínas que você consome na tentativa de fazê-lo recuperar o peso perdido. Pode ser que lhe receitem estimulantes de apetite, ainda que eles tendam a gerar aumento de peso em forma de gordura, ao invés de músculos que é muito mais importante.

Algumas clínicas prescreverão um curto tratamento com esteróides anabolizantes, acompanhados de leves exercícios com peso ou, como experimento, lhe receitarão hormônio humano de crescimento. Alguns estudos sugerem que tais métodos aumentam a massa muscular e prolongam os anos de vida do paciente.

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LGBTTTIAQ...
CORREIO BRAZILIENSE-DF 07/DEZEMBRO/08


Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, intersexuais, assexuais e queers
Identidade, orientação, gênero: quando a diversidade sexual exige um dicionário

Tudo poderia ser muito simples: o bebê que nasce com dois cromossomos XX, ovários, útero, trompas e vagina é uma menina com destino de mulher. E o que vem ao mundo com cromossomos XY, testículos e pênis é um menino com destino de homem. Mas quando se trata de ser humano, a simplicidade passa longe. Vai daí que o portador de órgãos genitais masculinos pode não se identificar com eles e idem para a portadora de órgãos genitais femininos. Ou pode gostar de suas ferramentas, mas só sentir prazer com ferramentas de mesmo gênero. Ou.

Até aí nenhuma novidade. Desde que o mundo é mundo, há homens que gostam de homens; mulheres, de mulher; de homens que gostam de homem e mulher; homem que tem prazer em se vestir de mulher e homem que quer ser mulher - quer extirpar o pênis e criar uma vagina. E com mulher a mesmíssima coisa. A novidade é que, depois do movimento feminista, do susto que o HIV causou na humanidade, da organização das minorias, a diversidade sexual saiu do submundo e ganhou nome, estudos, instituições de defesa, políticas públicas e paradas gays.

Ponham-se as letras juntas - LGBTTTIAQ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, intersexuais, assexuais e queers) - e dá-lhe confusão. É tanta que a 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (Brasília, de 5 a 9 de junho passado) começou tentando esclarecer afinal o que é orientação sexual e o que é identidade de gênero (leia quadro).

Muitos não sabem diferença entre um TRAVESTI e um TRANSEXUAL. Entre uma drag queen e um crossdresser. Não sabe que existe O TRAVESTI e A TRAVESTI e que essa diferença é de gênero (masculino e gênero feminino). O que não tem nada a ver com orientação sexual, que é para onde se orienta o desejo de sexo do cidadão ou da cidadã, se para o sexo oposto, o mesmo sexo, os dois. Uma coisa é como a pessoa se sente, (se feminina ou masculino), isso é identidade de gênero. A outra é com quem ela tem prazer, isso é orientação sexual. De todo modo, categorias e conceitos também superquestionados (leia box).

Seria simples se o humano fosse que nem os animais irracionais: a biologia define o sexo (ainda que haja pesquisadores apostando que existem, por exemplo chimpanzés gays). Lá se vão mais de 30 anos, e já não era nenhuma novidade, quando o antropólogo norte-americano Marshall Shallins disse que a sexualidade não é um fato biológico, "pois nenhuma satisfação pode ser obtida sem atos ou padrões socialmente definidos e contemplados, de acordo com um código simbólico, práticas sociais e propriedades culturais". Ou seja: as experiências de um ser humano vão definir a sua orientação sexual e a sua identidade de gênero (se ele vai gostar de mulher ou de homem e se vai se identificar como um homem ou uma mulher, independentemente de ter pênis ou vagina).

Nova alfabetização

Essa é uma briga entre o corpo biológico e o invisível, feito das teias das emoções, experiências, gostos, prazeres. Que embaralha o raciocínio de quem não vive no meio GLBTT (leia glossário) e mesmo de quem vive. Para tentar entender tudo isso, é preciso ser alfabetizado no universo das múltiplas orientações sexuais. Mas não é fácil. Durante a conferência em Brasília, a representante do Coletivo Nacional de Transexuais na 1ª Conferência Nacional GLBTT, Carla Machado, deu um exemplo dessa complicação: ". a maioria de nós, mulheres transexuais, somos heterossexuais. Se somos mulheres, de fato, e nos interessamos ou nos completamos afetivamente por pessoas do sexo oposto, ou seja, por homens, então nós somos heterossexuais. Assim como os homens que se relacionam conosco, que se atraem ou se complementam com o sexo oposto, com a nossa feminilidade, eles são heterossexuais".

Ou seja: Carla quer ser identificada pela identidade de gênero que ela construiu com a sua história de vida e não pela que foi registrada na certidão de nascimento. Essa, aliás, é uma peleja que tramita no Congresso Nacional: há pelo menos quatro projetos de lei tratando da questão.

E não é somente o nome que os transexuais querem mudar. O que lhes interessa é a cirurgia de mudança de sexo, mas essa vitória eles conseguiram em agosto deste ano com a assinatura de portaria do Ministério da Saúde autorizando cirurgias de mudança de sexo na rede pública de saúde. (Mas nem todos os transexuais querem trocar o pênis pela vagina ou vice-versa. Há aqueles que se dão muito bem com o órgão sexual que tem funções que não lhe interessam. Leia quadro com depoimentos).

São tantas as singularidades do desejo sexual dos humanos que elas são como "impressões digitais", diz Léo Mendes, secretário de Comunicação da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais. "Nenhum prazer é igual ao outro. Cada um busca o prazer do seu jeito", afirma Mendes, representante de uma entidade LGBTT que existe há 17 anos, começou com 31 grupos e hoje tem 141 entidades associadas, de 25 das 27 unidades da federação.

Há associações de gays, travestis, lésbicas e transgêneros em todos os estados, do Acre ao Rio Grande do Sul. Os cearenses têm, por exemplo, a Associação dos Travestis do Ceará. O Rio Grande do Norte tem o Habeas Corpus Potiguar. Em Roraima, existe o Tucuxi - Núcleo de Orientação pela Livre Orientação Sexual. Na Bahia, terra de Luis Mott, um dos precursores do movimento GLBTT no país, há 10 entidades filiadas à associação nacional. Os baianos e os cariocas são os que têm o maior número de ONGs de orientação sexual, 10.

Nem Irã nem Holanda

São muitas as frentes de batalha dessa turma e uma das principais é conquistar o direito à cidadania, a serem tratadas como contribuintes, profissionais, consumidores, pessoa física - antes do inevitável olhar de estranhamento que lhes são lançados. "Até o governo Fernando Henrique Cardoso, a população LBGTT era trabalhada no âmbito da Saúde. Com o governo Lula, passou a ser tratado do ponto de vista de acesso a direitos", diz o coordenador do programa Brasil sem Homofobia, Paulo Biagi.

O que não significou, até agora, evidentes vitórias para as demandas da população. "No conjunto dos países nos quais se discute a questão, estamos bastante avançados. Mas no conjunto das conquistas, estamos bastante atrasados", diz Biagi. Não somos um Irã, onde os gays são condenados à morte, mas s também não somos uma Holanda, onde é permitido o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

 

*A sopa de letrinhas começou com o hoje pré-histórico GLS (gays, lésbicas e simpatizantes). A sigla virou GLBTT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais). Na 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, decidiu-se, depois de exaustivas discussões, jogar o "L" para a frente, como forma de dar maior visibilidade para as lésbicas, que se sentiam duplamente oprimidas

Queer, a teoria de uma letra só

Um dicionário da diversidade sexual é obra eternamente incompleta. "A sigla LGBTTTIAQ nunca vai parar de crescer, é interminável", diz o professor de filosofia Hilan Bensusan, coordenador do Núcleo de Estudos de Diversidade Sexual e Gênero (Nedig) da Universidade de Brasília e pesquisador/militante do Queer, movimento que dissocia sexo de identidade e de gênero. Para os queer, "a sexualidade é nômade", diz Hilan. "Você é alguma coisa apenas transitoriamente. O queer não se apega a categoria nenhuma. Eles não cabem em nenhuma letrinha."

Se os movimentos LGBTT aderissem ao Queer, então ele se resumiria a uma só letra, Q. Mas, como diz Hilan, todos eles buscam sua própria afirmação. E, assim, vão se agrupando em suas singularidades. Um exemplo: há dois anos, ele concluiu o documentário Mulher-bicha, cuja personagem-título é uma goiabinha, letra G, que vem a ser uma mulher heterossexual que só tem interesse sexual por homens gays.

O Queer é uma teoria que se nutre de estudos de grandes pensadores do século 20, Michel Foucault entre eles. Há mais de um século, a palavra queer significava estranho, esquisito. Atualmente "o sentido passou a ser afirmativo e não derrogatório", diz Hilan.

Há filósofos, filólogos, antropólogos, sociólogos de todo o planeta desenvolvendo a teoria segundo a qual o desejo sexual não tem objeto perene e a heteroxessualidade é compulsória socialmente. "A sexualidade é parte do processo de singularização do ser humano e não pode ser simplesmente domesticada em termos de categoria de identidade, orientação e gênero."

O sexo e as máscaras sociais

Como se forma a sexualidade? E por que tanta diversidade? Não se dá demasiada importância a essa afirmação sexual? A psicanalista Jansy B.S. Mello respondeu a essas três perguntas.

1. "Freud utiliza uma teoria sobre a 'bisexualidade inata' no ser humano e, para ele, a identidade sexual se forma em duas fases: o que se manifesta num primeiro momento (antes dos 5 anos, no menino), pode ser modificado na segunda fase ( ligada ao 'período de latência', quando haveria um certo amortecimento da pressão da sexualidade). Seja como for, a formação da identidade sexual está intimamente associada à elaboração do Complexo de Édipo tanto pelas 'meninas' quanto pelos 'meninos'."

2. "O ser humano é diverso! Para Freud, ao contrário do que se observa no mundo animal, a sexualidade não tem no programa um 'objeto adequado' e não se nasce pré-determinado, ou casado como um par de pombos. O 'homem' se constrói a partir da linguagem e das vicissitudes da sua vida, do percurso das suas identificações e eventos da sua história. Além desta construção, existem enfeites e disfarces que se servem de palavras como se fossem rótulos definitivos - 'hetero, homo, GAY,TRANSEXUAL' - das diversas modalidades de erotismo e prazer sem nome".

3. "Adotar uma identidade sexual para suprir as falhas associadas à constituição da subjetividade apenas engendra máscaras sociais e aumenta a distância entre o que uma pessoa sente e se permite sentir e fazer."

Depoimentos

GAY

Oswaldo Braga, presidente da Associação Brasileira de Gays e do Movimento GAY de Minas Gerais

"A gente constrói a nossa homossexualidade assim como a nossa sociedade constrói a homofobia. Mas eu, sinceramente, acho que a gente constrói é a identidade GAY. O nosso desejo, a gente não consegue manobrar. Eu não cheguei um dia e falei: 'A partir de amanhã, vou ser GAY'. Não. Fui me descobrindo com desejo, com afeto pelas pessoas do meu sexo, e foi isso que foi fazendo com que eu corresse atrás de pessoas iguais a mim, com quem eu pudesse me identificar, com quem eu pudesse olhar, no outro, coisas que são minhas."

LÉSBICA

Silvana Conti, representante da Liga Brasileira de Lésbicas e presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher

".. nós compreendemos que não basta estar na frente ou atrás nas letras, não é isso, não é uma questão de lugar, ali, naquele lugar, é uma questão de lugar na sociedade mesmo, porque, enquanto mulheres, sofremos dupla opressão: sofremos opressão por sermos mulheres, e por orientarmos o nosso desejo para mulheres. Porque todo mundo que está aqui sabe qual é o lugar que nos foi imposto pela sociedade, de preferência ficar em casa, cuidando do marido, lavando roupa, cuidando do filho etc., etc., etc."

TRAVESTI

Janaína Lima

"É muito complicado falar sobre o que é um TRAVESTI porque, talvez, nem eu saiba o que é ser TRAVESTI. Talvez falte muito para descobrirmos o que é TRAVESTI. Parece que a gente se pauta sempre no homem e na mulher, então, eu tenho que ser TRAVESTI, mas eu tenho que ser homem ou mulher. A gente percebe que o tempo todo estamos reafirmando, falando de gênero, mas estamos afirmando sempre dois gêneros: homem ou mulher. E aí, TRAVESTI, você vai para onde? Você quer ser homem ou quer ser mulher? É complicadíssimo."

TRANSEXUAL HOMEM

Alexandre Peixe, do Coletivo Nacional de Transexuais e da Associação da Parada GAY de São Paulo e do Fórum Paulista GLBTT (Alexandre nasceu com o corpo biológico de mulher)

"Eu sou um homem TRANSEXUAL, que posso me relacionar afetiva e sexualmente com mulher, homem, bissexual, TRAVESTI, TRANSEXUAL. Isso não tira de mim a masculinidade, isso não tira de mim o que sinto, ser homem. (.) Outra coisa importante na questão dos homens transexuais (é) terem garantidos os direitos reprodutivos e sexuais. Eu ainda tenho o meu útero; eu só tenho um. Um útero e um ovário e, se eu quiser ter um filho, eu tenho direito, sendo homem, a ter um filho sim."

TRANSEXUAL MULHER

Carla Machado, do Coletivo Nacional de Transexuais (Carla nasceu com o corpo biológico de homem)

"Nós, mulheres transexuais, somos exemplo, talvez mais pontual, dessa diferença, uma vez que a maioria de nós, mulheres transexuais, somos heterossexuais. Se somos mulheres, de fato, e nos interessamos ou nos completamos afetivamente por pessoas do sexo oposto, ou seja, por homens, então nós somos heterosexuais. Se somos mulheres, de fato, e nos interessamos ou nos completamos afetivamente por pessoas do sexo oposto, ou seja, por homens, então, nós somos heterossexuais. Assim como os homens que se relacionam conosco, que se atraem ou se complementam com o sexo oposto, com a nossa feminilidade, eles são heterossexuais."

* Depoimentos à 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (Brasília, 5 a 9 de junho)

Glossário

Orientação sexual

É a orientação do prazer sexual de cada um. Se heterossexual, HOMOSSEXUAL ou bissexual. Se tem prazer com alguém de outro sexo, do mesmo sexo ou com os dois sexos.

Identidade de gênero

São os gêneros feminino e masculino com o qual a pessoa se identifica, tenha ela nascido homem ou mulher. Mas há quem considere que a identidade de gênero é múltiplia, não se restringe apenas ao feminino e masculino.

DIVERSIDADE SEXUAL

GAY

Homem que só sente atração sexual por outro homem.

LÉSBICA

Mulher que tem preferência sexual por ou mantém relação afetiva e/ou sexual por pessoa do mesmo sexo (Houaiss).

Bissexual

Homem ou mulher que se sente atraído sexualmente tanto por homem quanto por mulher.

TRAVESTI

A TRAVESTI se identifica com o gênero feminino, veste-se e comporta-se como uma mulher, tem prazer sexual com homens, põe silicone no peito, na bunda, mas não rejeita seu órgão genital. E mantém a identidade masculina que, dependendo das circunstâncias, se revela claramente. O TRAVESTI é a mulher que se identifica com o gênero masculino, se veste como homem, tem prazer com mulher, mas dá-se bem com sua genitália.

TRANSEXUAL

São pessoas que rejeitam seu sexo biológico. Sentem-se de outro sexo e desejam transformá-lo cirurgicamente.

Transgênero

Termo geral utilizado para designar pessoas que questionam as noções tradicionais de "homem" e "mulher", auto-identificando-se com uma postura de vida que ultrapassa os limites habituais de gênero (masculino e feminino) (Aurélia, A dicionária da língua afiada, de Angela Vip e Fred Libi).

Intersexual

Pessoa que tem os órgãos sexuais masculinos e femininos, seja parcialmente ou inteiramente. Essa dubiedade tanto pode ser visível quanto invisível. Essa é uma condição orgânica do indivíduo, e não sua orientação sexual. Ou seja, o intersexual ou hermafrodita (termo em desuso) pode ser hétero, homo ou bi.

Assexual

Assexuado é o indivíduo que não tem desejo sexual aflorado. Que não sente atração sexual por ninguém, de sexo algum. A assexualidade é habitualmente tratada como uma disfunção sexual que necessita de tratamento médico/psicológico, mas há assexuais participando de movimentos afirmativos.

Queer

O indivíduo queer não se apega a qualquer das categorias acima, menos ainda à heterossexualidade. Acreditam que a sexualidade é transitória e nômade. Abraçam todas as acima citadas. Abraçam os conceitos da Teoria Queer .

Drag queen

Homens que se vestem de mulher de modo extravagante, como uma alegoria do modo feminino de vestir, adotam nome artístico e se apresentam em espetáculos, desfiles, shows. Em geral, são homossexuais, mas podem ser hétero, bi.

Drag king

Mulheres que se vestem de homem de modo extravagante.

Transformista

Também são pessoas que se vestem como alguém do sexo oposto para se exibições artísticas. A diferença entre o transformista e a drag queen é que as primeiras são discretas. Transformam-se em personagem de outro sexo, mas sem os recursos alegóricos/espalhafatosos/caricaturais das drags. Podem ser homo ou hétero.

Crossdresser

Homens que têm prazer em se vestir de mulher, em situações pessoais, e sem a extravagância caricatural das drags queens. Usam hormônio, feminilizam-se ao máximo mas, em geral, sem a interferência do silicone. Diferenciam-se das TRAVESTI porque transitam mais facilmente entre o gênero feminino e o masculino. Podem ser homens no espaço público e se vestir de mulher na intimidade. É um TRAVESTI, que se traveste, sofisticado.

Os Cartuns que ilustram algumas matérias fazem parte do acervo da 1º Festival Internacional de Humor DST & Aids.

PRÉ CONFERENCIA LGBT LONDRINA 2008

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O que são DST?

São doenças causadas por vírus, bactérias ou outros micróbios. Transmitem-se, principalmente, nas relações sexuais.

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O que leva você a não usar o preservativo?

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