Preconceito mostra que ensino fundamental é falido, diz ativista José Araújo, da AFBX Brasil.
31/03/2008 - 18h
"O preconceito dos universitários não é problema das universidades, isso significa que eles não têm base no ensino fundamental, que é falido", disse o ativista da AFXB Brasil, José Araújo Lima. Uma pesquisa feita com 503 estudantes universitários revelou que 15% acreditam que crianças soropositivas não deveriam freqüentar a escola. E, quando perguntados se um patrão deve demitir uma pessoa que tem o vírus para proteger seus colegas de trabalho, 22% indicaram que sim (saiba mais). É importante lembrar que o convívio social com pessoas portadoras do HIV não coloca ninguém em risco de se infectar e o direito à educação e ao trabalho devem ser assegurados. Para ativistas ouvidos pela Agência de Notícias da Aids, a sociedade ainda não conhece a vida de um soropositivo, sabe apenas como se prevenir do vírus da Aids.
O presidente da Abia (Associação Brasileira Interdisciplinar da Aids), Veriano Terto, acredita que é necessário ampliar informação sobre pessoas vivendo com HIV. "Precisa existir educação e debate, não apenas informação sobre a Aids ou como se prevenir. Não adianta colocar imagens de pessoas falando que são soropositivas, tem que ir mais fundo do que isso", disse.
Para ele, no entanto, é necessário saber mais dados sobre a pesquisa. "Seria necessário saber de que áreas são esses universitários para poder trabalhar melhor com as informações", comentou Terto. "Mas, no aspecto clínico, dentro da medicina, a difusão de informações melhorou muito. Por outro lado, não foi suficiente para eliminar outras representações da Aids na sociedade, associada com morte. O soropositivo ainda é representado pelo perigo", acrescentou.
Já José Araújo de Lima, ativista da AFXB, acredita que a pesquisa de Brasília pode ser interessante para o restante do País. "Espero que esse retrato da capital federal não seja o mesmo do resto do Brasil. Mas a idéia de fazer uma pesquisa dessa no País é interessante", opinou.
"Mas, o preconceito dos universitários não é problema das universidades, isso significa que eles não têm base no ensino fundamental, que é falido. Fico triste com isso, o que você escuta de governos é que a questão de sexualidade, da Aids, está inserida nas escolas", disse.
Adilce da Conceição Silva Lima, presidente da Associação Brasiliense de Combate à AIDS - Grupo Arco-Íris, tomou conhecimento da notícia pela reportagem e ficou chocada. "A gente luta para acabar com a falta de informação, é uma questão de cidadania, incluir as pessoas [soropositivas] que não são ameaçadoras", afirmou.
Dos entrevistados, 39% acham que o portador do vírus é responsável por sua condição de saúde. A atribuição de culpa pela infecção do HIV valoriza aspectos pessoais e desconsidera questões socioeconômicas, por exemplo, que também influenciam na vulnerabilidade à infecção pelo vírus da Aids.
A pesquisa foi realizada sob a orientação da professora Eliane Maria Fleury Seidl, do Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de Brasília (UnB). O estudo foi produzido dentro do Projeto Afroatitude. O levantamento contou com a participação de estudantes de uma instituição de ensino superior de Brasília (DF).
Rodrigo Vasconcellos
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