MOBILIZAÇÃO ‘FIQUE SABENDO’, QUE INCENTIVA O DIAGNÓSTICO PRECOCE DO HIV, É PRORROGADA NO PARANÁ ATÉ DEZEMBRO
Será que eu tenho o vírus da aids? Foi o que se perguntou por cinco anos uma estudante que manteve relações sexuais com o então namorado sem uso de preservativo. “Tínhamos uma relação de confiança e achávamos que a camisinha era desnecessária. Só depois que terminamos é que fui perceber o risco que a gente estava correndo”, disse a jovem de 21 anos de idade, que pediu para não ser identificada. Para ela, a mobilização Fique Sabendo, que no Paraná começou no dia 15 de setembro e estava prevista para terminar em 15 de outubro, foi o estímulo que faltava para fazer o teste anti-HIV e tirar a dúvida.
Nesse período, outros 11.830 exames foram realizados. Número que corresponde a 0,14% da expectativa da Secretaria de Saúde do estado, que esperava aplicar o teste em 1% da população paranaense acima dos 10 anos de idade (8.543.873 pessoas). Por isso, o Fique Sabendo, que incentiva o diagnóstico precoce do vírus da aids, foi prorrogado até dezembro.
Mesmo sem ter o resultado esperado, o coordenador do Programa de DST/Aids da Secretaria de Saúde do Paraná, Francisco dos Santos, avaliou os trinta primeiros dias de mobilização como satisfatórios. “Em uma mobilização tentamos atingir o maior número possível de pessoas. É diferente de campanha, em que há metas a serem cumpridas”, explicou.
Em Londrina, a gerente do Programa Municipal de DST/Aids, Regina Cortez, faz uma avaliação semelhante. Dos 25 mil testes rápidos disponíveis no município, 1.340 foram aplicados. “É um resultado muito significativo, pois em um mês de mobilização fizemos mais testes que nos oito meses anteriores”, afirmou. Segundo ela, de janeiro a agosto 448 pessoas realizaram o exame anti-HIV na cidade.
Para a psicóloga do Centro de Referência de Londrina, Rosangela Chagas, um dos fatores que dificulta a realização de testes é o estigma sobre a aids. “Mesmo com o tratamento proporcionando qualidade de vida aos doentes, o preconceito sobre eles ainda é grande. Por isso, as pessoas têm vergonha e até medo de fazer exame”, declarou.
Rosangela disse que as principais dúvidas das pessoas que fizeram o teste eram sobre a transmissão do HIV. “Perguntaram, por exemplo, se é possível ser infectado bebendo no mesmo copo que um soropositivo utilizou, por meio de saliva, picada de mosquito, sentando num banco que está aquecido com o calor humano”, afirmou a psicóloga, ressaltando que o vírus da aids não é transmitido por nenhuma dessas maneiras.
Uma pessoa pode se infectar com o HIV pelo sangue, sêmen, secreção genital e leite materno contaminados. As principais formas de transmissão do vírus são relação sexual (anal, oral, vaginal) sem preservativo; compartilhamento de seringa; na gestação, parto ou amamentação (transmissão vertical) e transfusão de sangue.
Outros números da mobilização
Dos 11.830 exames anti-HIV realizados no Paraná no primeiro mês do Fique Sabendo, 75 tiveram resultado positivo. A procura maior pelo teste foi de mulheres entre 20 e 39 anos.
Mais de 68 mil exames rápidos, cujo resultado sai em aproximadamente 30 minutos, continuam sendo ofertados em 400 Unidades Básicas de Saúde do Paraná. A relação das Unidades está disponível no link http://www.saude.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=411.
O Fique Sabendo é realizado em parceria entre governos federal, estadual e prefeituras. A estimativa é de que 60 mil pessoas tenham HIV no Paraná, sendo que 20 mil não sabem do próprio diagnóstico.
Programa Municipal de DST/Aids de Londrina
Regina Cortez (gerente)
Tel.: (0XX43) 3324-4829
Centro de Referência de Londrina
Rosangela Chagas (psicóloga)
Tel.: (0XX43) 3324-4829
"Fonte: Agência de Notícias da Aids, 21/10/2008" e "Fábio Serrato, especial para a Agência de Notícias da Aids"). |