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"Amar é ser cumplice do sonho alheio".
A.R. de Sant'Anna


 

AIDS - Adulto e Criança

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é uma doença caracterizada por uma disfunção grave do sistema imunológico do indivíduo infectado pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Sua evolução é marcada por uma considerável destruição de linfócitos T CD4+.

A transmissão ocorre pela via sexual, sanguínea (parenteral e da mãe para o filho, no curso da gravidez ou durante ou após o parto) e pelo leite materno.
O período de latência, compreendido entre a infecção pelo HIV e os sinais e sintomas que caracterizam a doença por ele causada - a aids, atualmente está entre 05 e 10 anos, dependendo da via de infecção.


Conforme alguns critérios, os portadores do HIV passam a ser considerados aids. Os critérios são descritos na publicação “Critérios de Definição de Casos de AIDS em Adultos e Crianças - 2004”. Essas definições estão resumidas logo mais adiante.

Somente os casos de aids, adultos e crianças, confirmados, devem ser notificados ao Ministério da Saúde através da Ficha de Investigação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
A notificação das gestantes infectadas é obrigatória em todo o território nacional desde o ano de 2001.

Critérios de Definição de Caso de AIDS em Indivíduos com 13 anos ou mais (adultos), para fins de Vigilância Epidemiológica:

1- CDC Adaptado
- Um teste de triagem reagente ou um confirmatório ou dois testes rápidos positivos para detecção de anticorpos anti-HIV.
+
- Evidência de imunodeficiência: diagnóstico de pelo menos uma doença indicativa de aids e / ou contagem de linfócitos T CD4+ <350 células / mm.

2- Rio de Janeiro / Caracas
- Um teste de triagem reagente ou um confirmatório ou dois testes rápidos positivos para detecção de anticorpos anti-HIV.
+
- Somatória de, pelo menos, 10 pontos, de acordo com uma escala de sinais, sintomas ou doenças.

3- Critério excepcional óbito
- Menção de aids / sida ou termos equivalentes em algum campo da declaração de óbito.
+
- investigação epidemiológica inconclusiva.
ou
- Menção a infecção pelo HIV ou termos equivalentes em algum campo da declaração de Óbito, além de doença (s) associada (s) à infecção pelo HIV.
+
- Investigação epidemiológica inconclusiva.

Critérios de Definição de Caso de AIDS em Crianças (menores de 13 anos):

CDC Adaptado
- Evidencia laboratorial da infecção pelo HIV em crianças para fins de vigilância epidemiológica.
+

Evidência de imunodeficiência
- Diagnóstico de, pelo menos, duas doenças indicativa de aids de caráter leve.
e / ou
- Diagnóstico de, pelo menos, uma doença indicativa de aids de caráter moderado ou grave.
e / ou
- Contagem de linfócitos T CD4+ menor do que o esperado para a idade atual.

Critério excepcional óbito
- Menção de AIDS / SIDA (ou termos equivalentes) em algum campo da declaração de óbito (DO).
+
- Investigação epidemiológica inconclusiva
ou
- Menção de infecção pelo HIV (ou termos equivalentes) em algum campo da Declaração de Óbito, além de doença (s) associadas (s) à infecção pelo HIV.
+
- Investigação epidemiológica inconclusiva.

AIDS ADULTO

Em Londrina, o primeiro caso de aids em adulto foi diagnosticado no ano de 1.985. Com o aumento do número de casos, em 1.992, foi criado o Centro de Referência em DST/HIV/AIDS Dr. Bruno Piancastelli Filho que, junto com o Hospital das Clínicas/UEL, passou a atender aos casos ambulatoriais de pessoas vivendo com o HIV/aids (PVHA) residentes em Londrina e nos municípios pertencentes à 17ª Regional de Saúde. Além da parte assistencial, o Centro de Referência era responsável pelo controle das notificações e atividades preventivas na área de abrangência da Regional de Saúde.
Com a municipalização das ações em saúde, a Autarquia Municipal de Saúde (AMS) de Londrina gradativamente foi assumindo as ações referentes ao controle das DST/aids. Em 1.994 as ações de prevenção a estes agravos passaram a serem exercidas pelo município e mais tardiamente, em 2.002, as ações de vigilância epidemiológica, foram municipalizadas.

Tabela 1- Número de casos de aids adulto por ano de diagnóstico, segundo sexo e razão por sexo. Londrina, 1985 - 2007.


Ano do diagnóstico

Masculino

Feminino

Total

Razão Sexo

1985

1

0

1

0,0

1986

1

0

1

0,0

1987

4

1

5

4,0

1988

9

2

11

4,5

1989

10

2

12

5,0

1990

22

6

28

3,7

1991

28

9

37

3,1

1992

47

14

61

3,4

1993

69

22

91

3,1

1994

50

13

63

3,8

1995

55

26

81

2,1

1996

67

32

99

2,1

1997

74

37

111

2,0

1998

75

41

116

1,8

1999

76

40

116

1,9

2000

66

46

112

1,4

2001

81

54

135

1,5

2002

88

66

154

1,3

2003

83

35

118

2,4

2004

78

49

127

1,6

2005

75

47

122

1,6

2006

50

31

81

1,6

2007

62

27

89

2,3

Total

1171

600

1771

1,9

Fonte: DEPIS/AMS/PML
Dados preliminares.

Tabela 2- Número de casos de aids adulto por ano de diagnóstico, segundo a faixa etária de 13 a 59 anos. Londrina, 1985 – 2007.


Ano do Diagnostico

13 a 14 anos

15 a 19 anos

20 a 29 anos

30 a 39 anos

40 a 49 anos

50 a 59 anos

1985

0

0

0

1

0

0

1986

0

0

1

0

0

0

1987

0

0

1

2

1

1

1988

0

1

4

5

0

1

1989

0

0

5

4

1

2

1990

0

2

12

9

3

1

1991

0

1

20

11

3

2

1992

0

2

28

28

2

1

1993

0

7

44

30

8

2

1994

1

0

29

26

7

0

1995

0

1

28

36

13

2

1996

0

1

36

42

14

6

1997

0

3

33

50

19

4

1998

1

1

44

48

16

5

1999

0

2

32

55

15

7

2000

0

0

32

53

17

6

2001

1

4

43

48

32

6

2002

0

6

48

60

31

6

2003

0

2

37

41

22

10

2004

0

3

24

45

26

20

2005

0

3

27

46

25

13

2006

0

3

17

27

24

5

2007

0

0

16

32

26

9

Total

3

42

561

699

305

109

Fonte: DEPIS/AMS/PML
Dados preliminares.

Tabela 3 - Número de casos de aids adulto por ano de diagnóstico, segundo a faixa etária 60 anos e mais. Londrina 1985 – 2007.


Ano do diagnóstico

Masculino

Feminino

Total

Razão Sexo

 

 

1985

0

0

0

0,0

 

1986

0

0

0

0,0

 

1987

0

0

0

0,0

 

1988

0

0

0

0,0

 

1989

0

0

0

0,0

 

1990

1

0

1

0,0

 

1991

0

0

0

0,0

 

1992

0

0

0

0,0

 

1993

0

0

0

0,0

 

1994

0

0

0

0,0

 

1995

0

1

1

0,0

 

1996

0

0

0

0,0

 

1997

2

0

2

0,0

 

1998

1

0

1

0,0

 

1999

2

3

5

0,7

 

2000

1

3

4

0,2

 

2001

0

1

1

0,0

 

2002

1

2

3

0,5

 

2003

3

3

6

1,0

 

2004

5

4

9

1,2

 

2005

5

3

8

1,6

 

2006
2007

4
5

1
1

5
6

4,0
5,0

 

Total

30

22

52

1,37



Ano do diagnóstico

Masculino

Feminino

Total

Razão Sexo

1985

1

0

1

0,0

1986

1

0

1

0,0

1987

4

1

5

4,0

1988

9

2

11

4,5

1989

10

2

12

5,0

1990

22

6

28

3,7

1991

28

9

37

3,1

1992

47

14

61

3,4

1993

69

22

91

3,1

1994

50

13

63

3,8

1995

55

26

81

2,1

1996

67

32

99

2,1

1997

74

37

111

2,0

1998

75

41

116

1,8

1999

76

40

116

1,9

2000

66

46

112

1,4

2001

81

54

135

1,5

2002

88

66

154

1,3

2003

83

35

118

2,4

2004

78

49

127

1,6

2005

75

47

122

1,6

2006

50

31

81

1,6

2007

62

27

89

2,3

Total

1171

600

1771

1,9

Fonte: DEPIS/AMS/PML
Dados preliminares.

Desde a identificação da aids na década de 1980, até os dias atuais, o perfil dos pacientes vivendo com a doença foi modificado. Atualmente, um dos principais desafios para os profissionais de saúde é lidar com o crescimento do número de casos entre maiores de 60 anos.

Segundo os pesquisadores, a reinvenção da virilidade pelas drogas contra a disfunção erétil fez com que a vida sexual do brasileiro se prolongasse. No entanto, a sexualidade das pessoas idosas, na família e na sociedade, ainda está cercada de tabus e ligada a uma maior resistência ao uso de preservativos.

Campanhas de prevenção precisam ser dirigidas a este público específico, a fim de desmistificar o sexo na terceira idade e promover a saúde.

Tabela 4 – Número de casos de aids adulto por ano de diagnóstico, segundo a categoria de exposição. Londrina, 1985 –2007.


Ano do Diagnóstico

Ignorado

Sexual

Drogas

Sangue

Total

1985

0

1

0

0

1

1986

0

1

0

0

1

1987

0

5

0

0

5

1988

0

7

3

1

11

1989

0

6

6

0

12

1990

0

12

16

0

28

1991

0

17

20

0

37

1992

0

33

28

0

61

1993

0

43

47

1

91

1994

0

45

18

0

63

1995

0

49

32

0

81

1996

0

71

27

1

99

1997

0

88

23

0

111

1998

0

97

18

1

116

1999

0

100

15

1

116

2000

0

97

15

0

112

2001

0

115

17

3

135

2002

0

142

10

2

154

2003

1

108

9

0

118

2004

1

115

11

0

127

2005

0

110

12

0

122

2006

3

74

4

0

81

2007

3

84

2

0

89

Total

8

1422

331

10

1771

Fonte: DEPIS/AMS/PML
Dados preliminares.

Tabela 5 – Número e percentual de casos de aids adulto por ano de diagnóstico, segundo a evolução. Londrina, 1985 - 2007.


Ano do diagnóstico

Vivo

Morto

Total

%

%

%

1985

0

0

1

100

1

100

1986

0

0

1

100

1

100

1987

0

0

5

100

5

100

1988

1

9

10

91

11

100

1989

2

17

10

83

12

100

1990

6

21

22

79

28

100

1991

3

8

34

92

37

100

1992

5

8

56

92

61

100

1993

25

27

66

73

91

100

1994

17

27

46

73

63

100

1995

29

36

52

64

81

100

1996

55

56

44

44

99

100

1997

66

59

45

41

111

100

1998

75

65

41

35

116

100

1999

77

66

39

34

116

100

2000

71

63

41

37

112

100

2001

106

79

29

21

135

100

2002

121

79

33

21

154

100

2003

91

77

27

23

118

100

2004

102

80

25

20

127

100

2005

98

80

24

20

122

100

2006

64

79

17

21

81

100

2007

69

78

20

22

89

100

Total

1083

61

688

39

1771

 100

Fonte: DEPIS/AMS/PML
Dados preliminares.

AIDS CRIANÇA

O primeiro caso de aids em criança, isto é, pacientes menores de 13 anos, foi diagnosticado em Londrina no ano de 1.987, por transmissão vertical.
O Hospital das Clínicas/UEL é local onde as crianças expostas, as soropositivos e as doentes são acompanhadas.

Tabela 6 – Número de casos de aids criança por ano de diagnóstico, segundo a faixa etária no momento do diagnóstico. Londrina, 1987 - 2007.


Ano do diagnóstico

<1 Ano

01 – 04 anos

05 – 09 anos

10 – 12 anos

Total

1989

1

0

0

0

1

1990

0

0

0

0

0

1991

0

0

0

0

0

1992

2

1

0

0

3

1993

5

0

0

0

5

1994

1

0

0

1

2

1995

3

0

0

0

3

1996

4

1

0

0

5

1997

4

4

0

0

8

1998

0

3

0

0

3

1999

6

1

0

0

7

2000

2

2

0

0

4

2001

2

3

1

0

6

2002

0

1

0

1

2

2003

0

0

1

0

1

2004

0

0

0

1

1

2005

1

1

0

0

2

2006

0

0

1

0

1

2007

0

0

0

0

0

Total

31

17

3

3

54

Fonte: DEPIS/AMS/PML
Dados preliminares.

Tabela 7 – Número de casos de aids criança por ano de diagnóstico, segundo a evolução. Londrina, 1987 - 2007.


Ano do diagnóstico

Vivo

Morto

Total

1989

0

1

1

1990

0

0

0

1991

0

0

0

1992

0

3

3

1993

2

3

5

1994

1

1

2

1995

0

3

3

1996

1

4

5

1997

8

0

8

1998

3

0

3

1999

4

3

7

2000

3

1

4

2001

4

2

6

2002

2

0

2

2003

1

0

1

2004

1

0

1

2005

1

1

2

2006

1

0

1

2007

0

0

0

Total

32

22

54

Fonte: DEPIS/AMS/PML
Dados preliminares.

Tabela 8 – Número de casos de aids criança por ano de diagnóstico. segundo a categoria de exposição. Londrina, 1987 - 2007.


Ano do diagnóstico

Heterossexual

Transfusão

Transmissão Vertical

Total

1989

0

0

1

1

1990

0

0

0

0

1991

0

0

0

0

1992

0

0

3

3

1993

0

0

5

5

1994

1

0

1

2

1995

0

0

3

3

1996

0

0

5

5

1997

0

0

8

8

1998

0

0

3

3

1999

0

0

7

7

2000

0

1

3

4

2001

0

0

6

6

2002

0

0

2

2

2003

0

0

1

1

2004

0

0

1

1

2005

0

0

2

2

2006

0

0

1

1

2007

0

0

0

0

Total

1

1

52

54

Fonte: DEPIS/AMS/PML
Dados preliminares.

Tabela 9 - Número de crianças expostas ao HIV por transmissão vertical, segundo o ano de nascimento e características selecionadas. Londrina, 2001 - 2007.


Ano de Nascimento

Casos Encerrados

Perda de Seguimento

Em Acompanhamento

Total

Infectado

Não Infectado

2001

2

12

2

0

16

2002

0

13

2

0

15

2003

1*

10

7

0

18

2004

1***

11

2

0

14

2005

0

17

2

0

19

2006

1***

14

2****

3

19

2007

0

0

0

22

22

Total

5

77

17

25

123

Fonte:EPIS/AMS/PML

 

 

 

 

 

Nota: * Criança infectada, pelo critério CDC adaptado em 2005, transmissão vertical, por aleitamento materno.
** Caso de aids, pelo critério Óbito em 2005.
*** Criança apresentava duas cargas virais detectáveis, sem outros critérios para notificar aids criança.
Mudou-se para o estado de SP aos sete meses de vida.
**** 1 caso foi Aborto.
Dados preliminares.

A transmissão da infecção pelo HIV da mãe para o concepto, denominada transmissão vertical (TV) é decorrente da exposição da criança à infecção durante a gestação, parto, e / ou aleitamento materno / cruzado.

Imediatamente, se o teste for positivo, institui-se quimioprofilaxia com anti-retroviral para evitar a transmissão do vírus à criança exposta e acompanhamento do bebê.

É fundamental, e se preconiza, que durante o pré-natal – no primeiro e no terceiro trimestres da gestação – a mulher faça o teste para HIV. Para que assim o médico saiba se a mulher é portadora do HIV, e sejam tomadas as medidas necessárias para prevenir a contaminação do bebê.

Mesmo realizando o teste durante o pré-natal e este for negativo, ela pode continuar com vida sexual ativa e, portanto, há risco de se infectar ainda durante a gravidez e dar a luz sem saber que está contaminada. Por isso, o teste rápido na maternidade para diagnóstico do HIV, torna-se uma ferramenta importante para prevenir e evitar a transmissão do vírus da mãe para filho (transmissão vertical), principalmente durante o parto e o aleitamento durante a amamentação.

A maior parte dos casos de TV vertical do HIV (cerca de 65%) ocorre durante o trabalho de parto e no parto propriamente dito; os 35% restantes ocorrem intra-útero, principalmente nas últimas semanas de gestação, e pelo aleitamento materno, que representa risco adicional de transmissão de 7 a 22%.

Já no primeiro exame da carga viral, se a criança apresentar resultado indetectável, é um bom indicativo de que não houve transmissão vertical.
A notificação das gestantes infectadas é obrigatória em todo o território nacional desde o ano de 2001, devendo as crianças expostas serem acompanhadas para diagnóstico e assistência adequados.

A tabela 9 - apresenta o número de crianças expostas notificadas através da Ficha de Gestante HIV+ e a situação do acompanhamento, que minimamente deve ser feito até os 18 meses, para diagnóstico de certeza quanto à infecção, ou não infecção.

Das 123 crianças expostas ao HIV, notificadas e residentes em Londrina, no período entre 2001 a 2007, apenas cinco apresentaram infecção, demonstrando a eficácia da profilaxia no pré-natal, parto e na criança após o nascimento. Outras 25 crianças estão em acompanhamento no Ambulatório do HC até 30.06.2008.

Em 2006 uma criança que apresentava duas cargas virais detectáveis, mas não fechava os critérios para aids criança, aos 7 meses de vida mudou para o estado de São Paulo

A partir de 2007, com a implantação da nova Ficha de Investigação de Gestante HIV+ para o SINAN net, o acompanhamento da criança não é contemplado na ficha, sendo assim, não digitado no SINAN.

Os Cartuns que ilustram algumas matérias fazem parte do acervo da 1º Festival Internacional de Humor DST & Aids.

 
 
 
 
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